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Comida típica na Trilha Salkantay: pratos e frutas

São seis e meia da manhã em Mollepata, está frio e, na mesa, aparece um prato fundo de caldo de galinha: caldo transparente, um pedaço de frango, macarrão, batata e hortelã picada por cima. Para a maioria dos viajantes, é o primeiro contato com a culinária que encontrarão nos dias seguintes. Do caldo da serra à granadilla cortada ao meio em uma chácara de La Playa, a rota atravessa dois mundos culinários diferentes. Isto é o que vale a pena provar em cada um deles.

Sopas e caldos: a base da comida andina

Na serra, quase nenhuma refeição começa sem sopa. Não é uma entrada leve: é um prato substancioso, pensado para o frio e para o esforço físico.

O caldo de galinha é o mais comum nos cafés da manhã em Mollepata. A sopa de quinoa, espessa e com legumes, aparece nos jantares de acampamento. Você também verá sopa de sêmola, de macarrão ou de legumes e, em alguns lugares, chairo, preparado com chuño, a batata desidratada pelo frio da serra.

Depois de um dia a 4 000 m s. n. m., essa sopa quente é o que desce melhor, mesmo quando a altitude tirou seu apetite.

Pratos da serra que você verá na rota

Nos restaurantes de Mollepata e no cardápio do cozinheiro, alguns clássicos peruanos se repetem, adaptados ao que se encontra na região.

O lomo saltado, com carne, cebola e tomate salteados, servido com batatas e arroz, é o prato mais pedido. A truta frita aparece onde há criadouros próximos. E, na comida cotidiana das famílias, predominam as batatas nativas, o mote, o milho e o chuño, que acompanham quase tudo.

Se você fizer uma parada em uma barraca no caminho, prove o choclo com queijo: milho andino de grãos grandes e servido morno, com um pedaço de queijo fresco ao lado. É o lanche do meio da manhã mais típico da região.

Lanches andinos para a caminhada

A canchita, milho torrado e salgado, é o acompanhamento habitual do chá da tarde nos acampamentos. As favas torradas cumprem a mesma função: leves, salgadas e fáceis de levar no bolso.

Na descida para a selva, aparecem os chifles, lâminas fritas de banana-da-terra verde, que são o lanche salgado dessa região.

Bebidas tradicionais

O mate de coca é a infusão que você mais verá na parte alta, servida a qualquer hora. A muña, uma erva aromática andina parecida com a hortelã, também é usada em infusão, e muitos a preferem pelo sabor.

Entre as bebidas frias, a chicha morada é preparada com milho-roxo fervido com canela, cravo e frutas, sendo doce e refrescante. Já a chicha de jora é uma bebida fermentada de milho, tradicional na serra, consumida principalmente nos povoados.

Se tiver a oportunidade, prove também o emoliente, uma bebida quente de ervas vendida de madrugada nas ruas de Cusco antes da saída.

Comidas típicas nas rotas
Comidas típicas nas rotas

A culinária da borda da selva

A partir da descida em direção a Chaullay e La Playa, a despensa muda. O chuño e a batata nativa desaparecem, dando lugar à mandioca, à banana-da-terra e às plantações de clima quente.

A mandioca cozida ou frita substitui a batata como acompanhamento. A banana-da-terra é consumida frita, verde ou madura e, em alguns lugares, é servida com carne de porco ou cecina, a carne salgada e seca típica das regiões quentes do país.

Os sucos de fruta espremidos na hora são, para muitos viajantes, o melhor deste trecho. Depois de três dias de comida quente na montanha, um copo de suco gelado de maracujá fica mais na memória do que qualquer prato.

Frutas da borda da selva

A área entre La Playa, Lucmabamba e Santa Teresa é agrícola, e boa parte do que é vendido à beira do caminho foi colhido no mesmo dia ou no dia anterior.

FrutaComo é consumidaOnde encontrar
GranadillaÉ partida e a polpa é consumida com colherEm todo o trecho de selva alta
MaracujáPrincipalmente em sucoLa Playa e Santa Teresa
Banana-da-terraFresca, frita ou em chiflesEm todo o trecho quente
AbacateCom sal, no café da manhã ou no almoçoChácaras do vale
MamãoFresco ou em sucoLa Playa e Santa Teresa
CítricosFrescos ou espremidosConforme a temporada
MangaFresca, na temporada de calorParte baixa do vale

Comprar frutas das famílias ao longo do caminho é barato e deixa o dinheiro na região. Descasque você mesmo antes de comer e lave apenas com água tratada ou engarrafada.

Café, cacau e mel

O mesmo vale produz café, cacau e mel de abelha, vendidos em propriedades rurais e lojas no trecho final. O café de Lucmabamba, torrado pelas próprias famílias produtoras, é o produto estrela da região e merece uma visita própria, detalhada na rota do café do Salkantay.

O que provar no final, em Aguas Calientes

No último dia, já em Aguas Calientes, a oferta aumenta muito. Ali você pode encerrar o trek com um prato peruano bem preparado: um ceviche de truta, um ají de gallina ou um cuy, caso queira provar o prato mais tradicional da região andina.

Curiosamente, o povoado também é famoso entre os viajantes por suas pizzarias com forno a lenha, que há décadas alimentam quem desce da montanha. Onde comer em cada ponto está em restaurantes no Salkantay Trek.

Perguntas frequentes

Vou provar comida típica se contratar um tour com tudo incluído?

Sim. O cozinheiro prepara pratos da culinária peruana adaptados à rota, com sopas andinas e pratos principais tradicionais. O que é servido a cada dia está em comida no Salkantay Trek.

É seguro comer frutas compradas no caminho?

Sim, se você mesmo as descascar e não lavá-las com água não tratada. Frutas com casca grossa, como a granadilla ou a banana-da-terra, são as mais seguras.

O que é chuño?

É batata desidratada por meio de um processo tradicional que aproveita as geadas noturnas e o sol do dia. Conserva-se por anos e é usada em sopas e ensopados da serra.

Posso provar cuy durante o trek?

Na rota, é pouco provável, pois não faz parte do cardápio habitual dos acampamentos. Você o encontrará mais facilmente em Cusco, no Vale Sagrado ou em algum restaurante de Aguas Calientes.

A chicha de jora tem álcool?

Sim, é uma bebida fermentada de milho com baixo teor alcoólico. Não a confunda com a chicha morada, que não contém álcool. Durante o trek, convém deixá-la para o final, porque o álcool em altitude desidrata e faz pior.